Privacidade, confidencialidade e confiança: lições do debate sobre microdados censitários para o futuro das estatísticas públicas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0339

Palavras-chave:

microdados; confidencialidade estatística; privacidade diferencial; dados sintéticos;

Resumo

A adoção da privacidade diferencial pelo U.S. Census Bureau no Censo de 2020 e a discussão sobre a eventual substituição dos microdados públicos do American Community Survey (ACS) por dados sintéticos constituem um dos debates mais relevantes da história recente da estatística oficial. Este ponto de vista reconstrói as posições de John M. Abowd e do Census Bureau e a crítica de Steven Ruggles e da comunidade de usuários, examinando ainda os acontecimentos institucionais de 2025–2026 nos Estados Unidos e a nova arquitetura de disseminação dos microdados da amostra do Censo Demográfico 2022 do IBGE. A controvérsia não deve ser reduzida à escolha entre técnicas de anonimização. Em meio à questão de quais populações e relações estatísticas permanecerão visíveis, há a decisão institucional sobre quem define os limites de risco e de utilidade. A incerteza técnica é real e exige avaliação empírica, testes de intruso e documentação. A perda de confiança na instituição produtora representa um risco, já que a estatística oficial tende a ser utilizada sem possibilidade de verificação direta. Meu ponto de vista é que o mais adequado seria uma arquitetura produto a produto, combinando proteção proporcional ao risco, com o acesso em camadas, e a avaliação independente com participação documentada dos usuários. O critério decisivo não deve ser a escolha de um método, mas sim a capacidade de tornar auditável a escolha entre proteção, utilidade científica e legitimidade institucional.

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Biografia do Autor

Eduardo L.G. Rios-Neto, Universidade Federal de Minas Gerais

Professor de Demografia do Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aposentado e voluntário. Professor Visitante de economia no Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada (PPEA) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) entre 2024 e 2025. Presidente do IBGE de 27 de abril de 2021 a 31 de dezembro de 2022. Diretor de Pesquisas do IBGE entre 21 de maio de 2019 e 26 de abril de 2021. Membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS) a partir de 2024. Membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), na área de ciências sociais, a partir de 2018. Possui Diploma da Ordem Nacional do Mérito Científico, Classe de Comendador, Ciências Sociais e Humanas, conferido pelo Ministério de Ciências e Tecnologia. Lecionou a disciplina "World Food Economy" (ACE251) no Department of Agricultural & Consumer Economics na Universidade de Illinois em Urbana- Champaign, entre agosto de 2016 e dezembro de 2016. Professor Visitante Lemann na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign entre agosto de 2015 e maio de 2016. Professor Tinker na Universidade do Texas (Austin), lecionou  "Evaluation of Social Policy in Latin America" no período de janeiro a maio de 2006. Professor Titular Aposentado do Departamento de Demografia (lecionou entre 1980 e 2015) e pesquisador do Cedeplar/UFMG. Ex-Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 1A. PhD em Demografia pela Universidade da Califórnia/Berkeley (1982-1987) e pós-doutor pela Universidade do Texas-Austin (1995-1996). Foi Chefe do Departamento de Demografia da UFMG entre 2009 e 2015. Coordenou o Programa de Pós-Graduação em Demografia do Cedeplar/UFMG de 1996 a 2000.

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Publicado

2026-10-22

Como Citar

Rios-Neto, E. L. (2026). Privacidade, confidencialidade e confiança: lições do debate sobre microdados censitários para o futuro das estatísticas públicas. Revista Brasileira De Estudos De População, 43. https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0339

Edição

Seção

Ponto de Vista