Desigualdades de gênero nos retornos ocupacionais e salariais do ensino superior: uma comparação entre Brasil, África do Sul e Coreia do Sul
DOI:
https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0343Palavras-chave:
Desigualdade de gênero, Segregação ocupacional, Regressão quantílica, Decomposição Machado-Mata, Ensino superior, Análise comparativaResumo
Este artigo investiga em que medida a expansão do ensino superior está associada à redução das desigualdades de gênero nos retornos ocupacionais e salariais no Brasil, na África do Sul e na Coreia do Sul, em 2014 e 2023. A comparação articula contextos de industrialização tardia e expansão educacional, com avanço da escolarização feminina, mas distintos mercados de trabalho e regimes de desigualdade de gênero. O referencial parte dos limites explicativos da teoria do capital humano e examina como relações de gênero, estratificação ocupacional e diferenças entre coortes podem mediar a conversão das credenciais em posições e rendimentos. Utilizaram-se dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), da Labour Market Dynamics in South Africa (LMDSA) e da Korean Labor and Income Panel Study (KLIPS). A estratégia metodológica combina medidas de segregação ocupacional, regressões quantílicas e decomposição contrafactual de Machado-Mata. Os resultados mostram que a expansão do ensino superior reduziu desigualdades no acesso ao diploma; no entanto, não equalizou os retornos ocupacionais e salariais entre homens e mulheres. Os três países apresentam notável desigualdade de gênero, sendo o cenário sul-coreano o mais desfavorável para as mulheres, seguido pelo sul-africano e brasileiro.
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