Padrões recentes de inserção e mobilidade no trabalho doméstico no Brasil metropolitano: descontinuidades e persistências

  • Larissa Giardini Simões Cedeplar - UFMG
  • Ana Maria Hermeto
Palavras-chave: Emprego doméstico, Mobilidade ocupacional., Envelhecimento., Ciclo de vida

Resumo

Essencialmente feminino, negro e pobre, o emprego doméstico é tratado diferentemente até mesmo pela legislação. Esse artigo tem o objetivo de identificar como o ciclo de vida, geração e outras características individuais da mulher, assim como fatores conjunturais, afetam a chance de estar e permanecer no emprego doméstico remunerado, no Brasil metropolitano em anos recentes. Dados da Pesquisa Mensal do Emprego, de 2002 a 2015, foram utilizados em uma modelagem log-linear de idade, período e coorte das frequências de transição e imobilidade de categorias de ocupação. A conjuntura tem o maior efeito, seguido de coorte. Essa é uma ocupação que está encolhendo e “envelhecendo”: menos jovens estão se tornando domésticas enquanto mulheres mais velhas ocupam cada vez mais espaço, combinando o adiamento da saída do mercado de trabalho com a menor mobilidade ocupacional em uma fase mais avançada da vida. Além disso, existe uma grande influência em ser negra na inserção/mobilidade ocupacional que está mudando entre as coortes. Entretanto, a diferença na probabilidade entre brancas e negras de trabalharem como domésticas permanece constante. Ainda, o emprego doméstico possui maior mobilidade do que os demais, indo contra a noção prévia de “armadilha da ocupação”, sendo a aparente mobilidade devida às características individuais das trabalhadoras.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Larissa Giardini Simões, Cedeplar - UFMG

Larissa Giardini Simões é mestre e doutoranda em Economia pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Referências

AUTOR, D. H.; DORN, D. This job is getting old: measuring changes in job opportunities using occupational age structure. American Economic Review: Papers & Proceedings, v. 99, n. 2, p. 45-51, 2009.

BALTAR, P.; LEONE, E. Perspectivas para o mercado de trabalho após o crescimento com inclusão social. Estudos Avançados, v. 29, n. 85, p. 53-67, 2015.

BYELOVA, K. Social and legal empowerment of domestic workers in Brazil. Tese (Mestrado) – Norwegian University of Life Sciences, Noruega, 2014.

DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos. O emprego doméstico no Brasil. Estudos e Pesquisa, n. 68, 2013.

DEX, S.; BUKODI, E. Gender differences in job and occupational mobility in varying labour market conditions. Oxford: University of Oxford, 2013 (Barnett Working Paper, n. 13-03).

DUFFY, M. Doing the dirty work: gender, race, and reproductive labor in historical perspective. Gender & Society, v. 21, n. 3, p. 313-336, 2007.

FEATHERMAN, D. L.; HAUSER, R. M. Prestige or socioeconomic scales in the study of occupational achievement? In: GRUSKY, D. B. (org.). Social stratification – class, race, and gender in sociological perspective. Madison: Institute for Research on Poverty, 1976. p. 403-422.

GUERRA, M. F. L. Trabalhadoras domésticas no Brasil: coortes, formas de contratação e famílias contratantes. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017.

HERMETO, A. M. Acumulando informações e estudando mudanças ao longo do tempo: análises longitudinais do mercado de trabalho brasileiro. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2002.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Mapa do mercado de trabalho no Brasil. Rio de Janeiro, 1994.

KERGOAT, D. Divisão sexual do trabalho e relações sociais de sexo. In: TEIXEIRA, M.; EMÍLIO, M.; NOBRE, M. (org.). Trabalho e cidadania ativa para as mulheres: desafios para as políticas públicas. São Paulo: Coordenadoria Especial da Mulher, 2003. p. 55-64.

MANESCHY, M. C. O emprego doméstico e as relações de gênero no mundo do trabalho. Gênero na Amazônia, n. 3, p. 207-218, 2013.

OLIVEIRA, S. M.; COSTA, P. L. Condicionantes para a profissionalização do trabalho doméstico no Brasil: um olhar sobre a profissão em duas regiões metropolitanas – São Paulo e Salvador – na última década. In: ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS, 36. Anais [...]. Águas de Lindóia: Anpocs, 2012.

PHANG, H. S. Labor market transitions of young women over the early life course: a multistate life table analysis. University of Wisconsin, Institute for Research on Poverty, 1995 (Institute for Research on Poverty Discussion Paper, n. 1062-95).

PINHEIRO, L.; FONTOURA, N.; PEDROSA, C. Situação atual das trabalhadoras domésticas no país. In: MORI, N. et al. (org.). Tensões e experiências: um retrato das trabalhadoras domésticas de Brasília e Salvador. Brasília: Centro de Estudos Feministas e Assessoria, 2011. p. 33-69.

POWERS, D.; XIE, Y. Statistical methods for categorical data analysis. 2. ed. Emerald, 2008.

REIS, M. C.; GONZAGA, G. Desemprego e qualificação: uma análise dos efeitos de idade, período e coorte. Pesquisa e Planejamento Econômico, v. 36, p. 367-412, 2006.

RIBAS, R. P.; SOARES, S. S. D. Sobre o painel da pesquisa mensal de emprego (PME) do IBGE. Brasília: Ipea, novembro de 2008. (Texto para Discussão, n. 1348).

RYDER, N. B. The cohort as a concept in the study of social change. American Sociological Review, v. 30, p. 843-861, 1965.

SAITO, K.; SOUZA, A. P. A mobilidade ocupacional das trabalhadoras domésticas no Brasil. In: ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA, 36. Anais [...]. Salvador: Anpec, 2008.

TREIMAN, D. J. Occupational prestige in comparative perspective. 1976. In: GRUSKY, D. B. (org.). Social stratification – class, race, and gender in sociological perspective. 3. ed. Colorado: Westview Press, 2008.

YANG, Y.; FU, W. J.; LAND, K. C. A methodological comparison of age-period-cohort models: intrinsic estimator and conventional generalized linear models. Sociological Methodology, n. 34, p.75-110, 2004.

Publicado
2019-12-03
Como Citar
Giardini Simões, L., & Hermeto, A. M. (2019). Padrões recentes de inserção e mobilidade no trabalho doméstico no Brasil metropolitano: descontinuidades e persistências. Revista Brasileira De Estudos De População, 36, 1-25. https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0096
Seção
Artigos originais