Exodo rural, envelhecimento e masculinização no Brasil: panorama dos últimos cinquenta anos

Ana Amélia Camarano, Ricardo Abramovay

Resumo


O trabalho apresenta um conjunto de estimativas de saldos e taxas líquidas de migrações rural-urbanas por sexo e grupos quinquenais de idade para o Brasil como um todo e as cinco regiões para as décadas de 50, 60, 70, 80 e o primeiro quinquênio dos anos 90. Estas estimativas serviram de base para que fosse analisado o papel desempenhado pelas várias regiões brasileiras a cada década no processo de desruralização da população brasileira. Os movimentos migratórios respondem pelo processo de esvaziamento da população rural. Em termos nacionais, a intensidade do movimento de desruralização parece não ter-se atenuado muito nos últimos cinquenta anos. Entre 1950 e 1980, as áreas rurais das regiões Sudeste e Sul forneceram um volume expressivo de migrantes para as áreas urbanas. Nas duas últimas décadas foi do Nordeste que saíram do campo os maiores contingentes populacionais. Também neste período, áreas de expansão de fronteira agrícola como as Regiões Centro-Oeste e Norte constituíram-se em áreas expulsoras de população rural. Entre 1950 e 1980, as áreas rurais das Regiões Sudeste e Sul forneceram um volume expressivo de migrantes para as áreas urbanas. Nos fluxos de origem rural, predominaram as mulheres com exceção dos anos 60. A magnitude da sobre-migração feminina foi diferenciada temporalmente e regionalmente. Uma consequência do fenômeno da migração diferencial por sexo é o aumento da razão de sexos rural e uma redução desta razão nas áreas urbanas, levando a uma crescente masculinização do meio rural brasileiro.

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Revista Brasileira de Estudos de População, ISSN 0102-3098 (Impresso) e ISSN 1980-5519 (on-line) 

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