O impacto da sobrecarga de trabalho remunerado e não remunerado na saúde mental de homens e mulheres no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0342Palavras-chave:
Horas de trabalho, Saúde mental, Divisão sexual do trabalho, Desigualdade de gêneroResumo
Este trabalho utiliza dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 e modelos de regressão linear e quantílica para analisar a associação entre as cargas de trabalho remunerado e não remunerado e a incidência de sintomas depressivos na população brasileira ocupada, analisando as desigualdades de gênero nessa relação. Os resultados indicam que, tanto para homens quanto para mulheres, a relação entre a jornada de trabalho remunerado e o escore de sintomas depressivos é não linear, assumindo a forma de uma parábola côncava para cima, com vértice em 40 horas semanais. Assim, a partir desse limiar, aumentos na jornada remunerada afetam negativamente a saúde mental, com efeitos marginais mais intensos nos quantis superiores da distribuição. Em se tratando do trabalho doméstico não remunerado, a relação observada é linear, com aumentos na carga de trabalho deteriorando a saúde mental, especialmente no caso das mulheres, para quem o efeito deletério de uma hora adicional de afazeres domésticos e de cuidado é quase o dobro do observado para os homens. Conclui-se que a divisão sexual do trabalho, que impõe uma sobrecarga desproporcional de trabalho não remunerado às mulheres, é um fator determinante do hiato de gênero em saúde mental no Brasil.
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