A demografia brasileira e o declínio da fecundidade no Brasil: contribuições, equívocos e silêncios

José Alberto Magno de Carvalho, Fausto Brito

Resumo


A população brasileira vivenciou, no final do século passado, rapidíssimo declínio da fecundidade. Sua taxa de fecundidade, em três décadas, passou de 5,8 para apenas 2,3! O artigo analisa as atitudes e posições dos estudiosos da população diante de tal fenômeno. Para entendê-las, há de se levar em conta o contexto internacional polarizado pelos blocos socialista e capitalista. Entre os cientistas sociais brasileiros predominava, em oposição aos neomalthusianos e à política americana, posição clara contra a presença do Estado no campo da reprodução. Tinham duas fortes convicções: 1) não havia, em geral, demanda por anticoncepção e 2) o ritmo do crescimento populacional e seu tamanho eram neutros, do ponto de vista do bem-estar social. O grande embate ideológico está ultrapassado. A transição da fecundidade no Brasil já avançou muito. No entanto, há segmentos de mulheres, as mais pobres, que ainda carecem de informação e de acesso aos meios para regular sua prole. Por outro lado, a sociedade não está tirando partido de algumas oportunidades geradas pelo declínio da fecundidade, nem se preparando para enfrentar os novos desafios, que são conseqüência desse mesmo declínio. Ainda predominam silêncios, entre demógrafos e estudiosos da população, sobre esses aspectos.

Palavras-chave


Transição da fecundidade; Controle da natalidade; Neomalthusianismo; Planejamento familiar

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.



Revista Brasileira de Estudos de População, ISSN 0102-3098 (Impresso) e ISSN 1980-5519 (on-line) 

E-mail: editora@rebep.org.br e secretaria@rebep.org.br 

Financiadores:

 

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia