Padrão de consumo de arranjos domiciliares brasileiros em 2008/2009

Palavras-chave: Tipos de famílias, Despesas e gastos, Curvas de Engel, POF 2008-2009

Resumo

Esse artigo busca analisar o padrão de consumo em diferentes arranjos domiciliares no Brasil, a partir de dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-2009. Para isso, foram estimadas curvas de Engel considerando o tipo de arranjo domiciliar, dentre outras variáveis demográficas. Os resultados indicaram a existência de diferenças no padrão de consumo das famílias associadas ao sexo do responsável pelo domicílio, sobretudo nos arranjos “monoparental” e “unipessoal”. Essas diferenças são mais evidentes sobre as despesas com habitação, saúde e educação/recreação, em que os gastos mensais per capita são muito menores para os tipos “monoparental masculino” e “unipessoal masculino” em relação ao “monoparental feminino” e “unipessoal feminino”. Além disso, verificou-se que a composição da família (presença de filhos, idosos) e o seu tamanho afetam as decisões de consumo das famílias, em que a existência de crianças aumenta os gastos per capita com habitação e saúde e a presença de idosos leva a uma expansão dos gastos com saúde. Quanto ao tamanho da família, há indícios de que as famílias maiores podem se beneficiar dos ganhos de economia de escala e consumo conjunto em relação às despesas com habitação, alimentação e transporte.

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Biografia do Autor

Ana Beatriz Pereira Sette, UFV

Ana Beatriz Pereira Sette é doutoranda em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e mestre em Economia Aplicada pela mesma instituição.

Alexandre Bragança Coelho, UFV

Alexandre Bragança Coelho é doutor em Economia Aplicada. Professor Associado no Departamento de Economia Rural da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. O autor agradece o apoio financeiro do CNPq

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Publicado
2020-05-15
Como Citar
Pereira Sette, A. B., & Bragança Coelho, A. (2020). Padrão de consumo de arranjos domiciliares brasileiros em 2008/2009. Revista Brasileira De Estudos De População, 37, 1-36. https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0111