O envelhecer e a morte: leituras contemporâneas de psicologia social

Autores

  • Luiz Antonio de Castro Santos Professor Visitante Sênior na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)
  • Lina Faria Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)
  • Rafael Andrés Patiño Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)

DOI:

https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0040

Palavras-chave:

Envelhecimento, morte, luto

Resumo

O presente texto busca situar os cenários do envelhecer e da morte nas sociedades contemporâneas, com base em análises e interpretações da psicologia social. Ao tempo em que se descortinam processos e escolhas do idoso, diante de instituições e padrões de interação social em rápida transformação, o artigo aborda aspectos sociais e culturais dos itinerários do “envelhecer e morrer” em diferentes sociedades, de modo a sugerir como alguns valores modernos influenciam a experiência do envelhecimento. Conclui-se, em síntese, que o envelhecimento e a morte são processos que não se restringem a uma dimensão biológica, mas envolvem dimensões socioculturais que condicionam a experiência dos sujeitos. A psicologia social esclarece tais dimensões ao partir das representações e narrativas sobre a vida, o envelhecimento e a morte, que orientam nossas práticas sociais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luiz Antonio de Castro Santos, Professor Visitante Sênior na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)

Professor aposentado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), sociólogocom mestrado e doutorado na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard.

Lina Faria, Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)

Doutora em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social IMS/UERJ, com Pós-Doutorado em Cooperação Internacional em Saúde pela UNICAMP. Docente do Centro de Formação em Saúde (CFS) da Universidade Federal do Sula da Bahia (UFSB), Coordenadora do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde (BI-Saúde).

Rafael Andrés Patiño, Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)

Doutor em Psicologia, na área de concentração em Psicologia Social, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) com Pós-doutorado em Memória Social no Programa de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Referências

AGRA DO Ó, A. Uma narrativa acerca do envelhecimento e da morte. História, Ciência, Saúde-Manguinhos, v. 15, n. 2, p. 389-399, 2008.

ARANTES, R. C.; FARIA, L. As interações sociais na velhice: perspectivas de análise relacional. In: ISTOE, R. S. C.; MANHÃES, F. C.; SOUZA, C. H. M. Envelhecimento humano e interdisciplinaridade. Rio de Janeiro: Brasil Multicultural, 2017. p. 76-95.

ARAÚJO, C. P.; DIAS, C. M. S. B. Avós guardiões de baixa renda. Pesquisas e Práticas Psicossociais, v. 4, n. 2, p. 229-237, 2010.

ARIÈS, P. Historia de la muerte en occidente: de la edad media hasta nuestros días. Barcelona: El Acantilado, 2000.

_________. O homem diante da morte. São Paulo: Unesp, 2014.

BALTES, P. B.; BALTES, M. M. Successful aging: perspective from the behavioral sciences. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

BARBOSA, F.; MATOS, A. D. Informal support in Portugal by individuals aged 50+. European Journal of Ageing, v. 11, n. 4, p. 293-300, 2014. Disponível em: http://link.springer.com/article/10.1007/s10433-014-0321-0. Acesso em: 03 dez. 2016.

BOSI, E. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Edusp, 1987.

BRODY, E. M. The family at risk. In: LIGHT, E.; LEBOWITZ, B. D. (Ed.). Alzheimer’s disease treatment and family stress: directions for research. Washington, DC: National Institute of Mental Health, 1989. p. 2-49.

CALERO, M. D.; NAVARRO, E. Test de posiciones: un instrumento de medida de la plasticidad cognitiva en el anciano con deterioro cognitivo leve. Revista de Neurología, v. 36, n. 7, p. 619-642, 2003. Disponível em: http://www.neurologia.com/articulo/2002280. Acesso em: 16 jan. 2017.

CANDIDO, A. Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 2003.

CARNEIRO, R. et al. O envelhecimento da população: dependência, ativação e qualidade. Relatório Final. Lisboa: Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa, 2012. Disponível em: http://www.qren.pt/np4/np4/?newsId=1334&fileName=envelhecimento_populacao.pdf. Acesso em: 07 nov. 2016.

CASTRO SANTOS, L. A. Social work in Latin America: styles of conversion and resistance. Sociologies in Dialogue, v. 2, n. 1, p. 92-104, 2016.

CONCONE, M. H. V. B. Medo de envelhecer ou de parecer?Revista Kairós, v. 10, n. 2, p. 19-44, 2002. Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/article/viewFile/2588/1642. Acesso em: 06 nov. 2016.

DASSIE, F. A. Estar por um fio: doença e espaço. Sebastião Uchoa Leite por Franklin Alves Dassie. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2010. p. 69-83 (Coleção Ciranda da Poesia).

DAVID, M. J. C. Plasticidade cognitiva e envelhecimento bem-sucedido: otimização e compensação funcional através das atividades de vida diária instrumentais. Dissertação (Mestrado) – Escola de Ciências Sociais, Universidade de Évora, Évora, 2014.

DEBERT, G. G. Arenas de conflitos em torno do cuidado. Tempo Social, v. 26, n. 1, p. 35-45, 2014.

ELIAS, N. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.

_________. A solidão dos moribundos. Trad. P. Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

FALCÃO, D. V. S.; BUCHER-MALUSCHKE, J. S. N. F. O impacto da doença de Alzheimer nas relações intergeracionais. Psicologia Clínica, v. 21, n. 1, p. 137-152, 2009. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-56652009000100010. Acesso em: 15 jan. 2017.

FARIA, L.; CALÁBRIA, L.; ALVES, W. (Org.). Envelhecimento: um olhar interdisciplinar. São Paulo: Editora Hucitec, 2016.

FARIA, L.; CASTRO SANTOS, L. A. de; PATIÑO, R. A. A fenomenologia do envelhecer e da morte na perspectiva de Nobert Elias. Cadernos de Saúde Pública, v. 33, n. 12, p. 1-11, 2017. Disponível em: https://scielosp.org/pdf/csp/2017.v33n12/e00068217/pt. Acesso em: 12 abr. 2018.

FORTES-BURGOS, A. C. G.; NERI, A. L.; CUPERTINO, A. P. Eventos de vida estressantes entre idosos brasileiros residentes na comunidade. Estudos de Psicologia, v. 14, n. 1, p. 69-75, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v14n1/a09v14n1.pdf. Acesso em: 22 jan. 2017.

GENNEP, A. V. Os ritos de passagem. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2011.

GOLDEY, P. The good death: personal salvation and community identity. In: FEIJÓ, R.; MARTINS, H.; PINA-CABRAL, J. Death in Portugal: studies in Portuguese anthropology and modern history. Oxford: JASO, 1983. p. 1-8. Disponível em: https://www.anthro.ox.ac.uk/fileadmin/ISCA/JASO/Occasional_Papers_1983/2_Goldey.pdf>. Acesso em: 04 maio 2017.

HAYDEN, D. et al. Peter Marris, 1927-2007: planning in an international context. Planning Theory & Practice, v. 11, n. 2, p. 269-296, 2010.

HIRATA, H.; GUIMARÃES, N. A. Cuidado e cuidadoras. As várias faces do trabalho do care. São Paulo: Editora Atlas, 2012.

HIRATA, H. O trabalho de cuidado aos idosos no Japão e alguns aspectos de comparação internacional. Mediações, v.17, n. 2, p. 157-165, 2012. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/article/viewFile/14027/11838. Acesso em: 07 nov. 2016.

KARSCH, U. M. Idosos dependentes: famílias e cuidadores. Cadernos de Saúde Pública, v. 19, n. 3, p. 861-866, 2003.

KOVÁCS, M. J. Morte e desenvolvimento humano. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992.

KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer. São Paulo: Edart, 1977.

_________. Morte: estágio final do crescimento. São Paulo: Record, 1978.

MACADAM, M.; MACKENZIE, S. System integration in Quebec: The Prisma Project. Health Policy Monitor. 2008. Disponível em: http://www.hpm.org/en/Surveys/CPRN_-_Canada/12/System_

Integration_in_Quebec__The_Prisma_Project.html>. Acesso em: 05 set. 2016.

MARRIS, P. Widows and their families. London: Routledge, 1958.

_________. Loss and change. London: Routledge & Kegan Paul; New York: Pantheon, 1974.

_________. The politics of uncertainty: attachment in private and public life. London: Routledge, 1996.

MENEZES, R. A. Em busca da boa morte: antropologia dos cuidados paliativos. Rio de Janeiro: Fiocruz e Garamond, 2004.

OLIVEIRA, A. R. V.; VIANNA, L. G.; CARDENAS, C. J. Avosidade: visões de avós e de seus netos no período da infância. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 13, n. 3, p. 461-74, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1809-98232010000300012&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 23 jan. 2017.

PEREIRA, L. Ensaios de sociologia do desenvolvimento. São Paulo: Biblioteca Pioneira de Ciências Sociais, 1970.

RAMOS, L. R. Fatores determinantes do envelhecimento saudável em idosos residentes em centro urbano: Projeto Epidoso. Cadernos de Saúde Pública, v. 19, n. 3, p. 793-798, 2003.

RABELO, D. F.; NERI, A. L. A complexidade emocional dos relacionamentos intergeracionais e a saúde mental dos idosos. Pensando Famílias, v. 18, n. 1, p. 138-153, 2014. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-494X2014000100012. Acesso em: 27 out. 2016.

RICOEUR, P. Soi-même comme un autre. Paris: Éditions du Seuil, 1990.

SANCHEZ, M. A. S. A dependência e suas implicações para a perda de autonomia: estudo das representações para idosos de uma unidade ambulatorial geriátrica. Textos sobre Envelhecimento, v. 3, n. 3, p. 35-54, 2000.

SCOTT, A. S. V. A historiografia do Cambridge Group: contribuições ao estudo da família e do grupo doméstico. In: XIV ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS. Anais... Caxambu: Abep, 2004.

SECHRIST, J. et al. Aging parents and adult children: determinants of relationship quality. In: BLIESZNER, R.; BEDFORD, V. H. (Ed.). Handbook of families and aging. Santa Barbara, Califórnia: PRAEGER, 2012. p. 153-181.

SILVA, H. S.; LIMA, A. M. M.; GALHARDONI, R. Envelhecimento bem-sucedido e vulnerabilidade em saúde: aproximações e perspectivas. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, v. 35, n. 4, p. 867-877, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/icse/2010nahead/aop3510. Acesso em: 20 jun. 2017.

SZINOVACZ, M. E. Caring for a demented relative at home: effects on parent-adolescent relationships and family dynamics. Journal of Aging Studies, v. 17, p. 445-472, 2003. Disponível

em: https://www.researchgate.net/publication/222707661_Caring_for_a_demented_relative_at_home_Effects_on_parent-adolescent_relationships_and_family_dynamics. Acesso em: 10

dez. 2016.

VERAS, R. Promovendo a saúde e a cidadania do idoso: o movimento das universidades da terceira idade. Ciência & Saúde Coletiva, v. 9, n. 2, p. 423-432, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csc/v9n2/20396.pdf. Acesso em: 07 dez. 2016.

Downloads

Publicado

2018-05-16

Como Citar

Castro Santos, L. A. de, Faria, L., & Patiño, R. A. (2018). O envelhecer e a morte: leituras contemporâneas de psicologia social. Revista Brasileira De Estudos De População, 35(2), 1–15. https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0040

Edição

Seção

Artigos originais