Mobilidade pendular e a integração metropolitana: uma proposta metodológica para os municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte/MG – 2010

  • Carlos Lobo IGC/UFMG
  • Leandro Cardoso Escola de Engenharia/UFMG
  • Ivânia Linhares de Almeida UFMG
  • Ricardo Alexandrino Garcia IGC/UFMG
Palavras-chave: Integração metropolitana, Mobilidade pendular, Região Metropolitana de Belo Horizonte

Resumo

Não é raro na literatura acadêmica específica haver controvérsias sobre os limites e a própria configuração territorial das regiões metropolitanas no Brasil. Afora a falta de consenso e critérios bem definidos para o estabelecimento desses recortes regionais e político-administrativos, parece relevante considerar o significado da mobilidade pendular como indicador da dinâmica econômica e social metropolitana. O objetivo desse artigo é investigar o nível de integração dos municípios que compõem a Região Metropolitana de Belo Horizonte, tendo como base os fluxos de deslocamentos pendulares. Com informações extraídas dos microdados amostrais do Censo Demográfico 2010, a metodologia apresentada permitiu a proposição, para cada município da região, de um Índice de Integração Regional, derivado da razão de pendularidade interna, razão de conectividade pendular e razão de pendularidade nuclear. Em geral, os resultados indicaram sensíveis diferenças regionais no espaço metropolitano, o que permitiu destacar alguns níveis muito baixos de integração, especialmente para os casos dos municípios de Itatiaiuçu, Itaguara e Baldim.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Carlos Lobo, IGC/UFMG
Doutor em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Bolsista do Programa Pesquisador Mineiro da FAPEMIG. Atualmente é professor adjunto e chefe do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais. É credenciado nos Programas de Pós-Graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais e em Geografia, ambos do Instituto de Geociências da UFMG. É editor chefe da Revista Geografias, uma publicação do Programa de Pós-Graduação e do Departamento de Geografia da UFMG. A atuação está concentrada na área de Geografia Humana, notadamente em Geografia da População, Migrações e Geografia Urbana.
Leandro Cardoso, Escola de Engenharia/UFMG
Possui Graduação em Geografia (1999), Mestrado em Geografia (2003) e Doutorado em Geografia (2007) pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente é Professor Adjunto IV do Departamento de Engenharia de Transportes e Geotecnia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Coordenador pro tempore do Programa de Pós-Graduação em Geotecnia e Transportes da UFMG. Subcoordenador do Curso de Especialização em Logística Estratégica e Sistemas de Transporte da UFMG (2011 a 2015). Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em estudos urbanos, atuando principalmente nos seguintes temas: Geografia Urbana, Planejamento Urbano, Planejamento dos Sistemas de Transporte, Mobilidade Urbana Sustentável, Desigualdades Socioespaciais.
Ivânia Linhares de Almeida, UFMG
Engenheira. Mestre em Geotecnia e Transportes pela Escola de Engenharia/UFMG. Técnica do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais.
Ricardo Alexandrino Garcia, IGC/UFMG
Professor do departamento de Geografia do Instituto de Geociências (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordena, desde 2010, o Laboratório de Estudos Territoriais (LESTE/IGC/UFMG); é o atual Coordenador do Programa de Pós-graduação em Geografia, sub-coordenou o programa de Pós-graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais (2013-2015), sub-chefiou o departamento de Geografia (2014-2015) e foi o diretor do Instituto Casa da Glória (Eschwege) entre 2010 e 2013, todos vindulados ao IGC/UFMG; é o editor chefe do Cadernos do Leste (1679-5806), editor da revista Geografias (1808-8058), revisor de diversos periódicos científicos e lidera o grupo de pesquisa em Geografia Aplicada (CNPq). Possui mestrado (2000) e doutorado (2002) em Demografia pela UFMG e graduação em Psicologia (1995) pela USP. Tem experiência de pesquisa em geografia regional, métodos de análise regional e desenvolvimento econômico; geografia aplicada, distribuição espacial das atividades econômicas e regionalização; teoria e métodos quantitativos, modelos estocásticos, multivariados e espaciais, e modelagem de sistemas, geoprocessamento e modelos espacialmente explícitos; projeção populacional, com ênfase nos modelos de componentes da dinâmica demográfica e de pequenas áreas; distribuição espacial da população, movimentos populacionais e migração. Vem publicando e orientando, ultimamente, diversos trabalhos acadêmicos nas áreas da Geografia Econômica, Planejamento Urbano e Regional, Ciências Ambientais, Demografia e Economia Regional.

Referências

ARAÚJO, E. C. de; HOLZER, W. Dispersão urbana e planejamento urbano regional: inquietações. In: OJIMA, R.; MARANDOLA JR., E. Dispersão urbana e mobilidade populacional. São Paulo: Blucher, 2016.

ALBUQUERQUE, P. H. M. Conglomerados espaciais: uma nova proposta. 2008. 117 f. Dissertação (Mestrado em Estatística) – Departamento de Estatística, Instituto de Ciências Exatas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.

CASTELLO BRANCO, M. L. G. Espaços urbanos: uma proposta para o Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2003.

CASTELLO BRANCO, M. L. G.; FIRKOWSKI, O. L. F. C.; MOURA, R. Movimento pendular: abordagem teórica e reflexões sobre o uso do indicador. In: ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR, 11. 2005, Salvador. Anais... Salvador: Anpur, maio 2005.

CREA-MG – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais. Mobilidade: Região Metropolitana de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Crea-MG, 2014.

CRUZ, M. F. Condicionantes metropolitanos para políticas públicas: análise dos transportes coletivos na Região Metropolitana de São Paulo (1999-2009). 2010. 146 f. Dissertação (Mestrado em Administração Pública e Governo) – Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 2010.

DESCHAMPS, M.; DELGADO, P.; MOURA, R.; CASTELLO BRANCO, M. L. Nível de integração dos municípios à dinâmica metropolitana. Curitiba: Ipardes, 2007.

DURANTON, G. Delineating metropolitan areas: measuring spatial labour market networks through commuting patterns. Processed, Pennsylvania, 2013. Disponível em: http://real. wharton.upenn.edu/~duranton/Duranton_Papers/Current_Research/MSA_Colombia.pdf. Acesso em: 04 jan. 2015.

FREY, W. H.; SPEARE, JR. A. Metropolitan areas as functional communities: a proposal for a new definition. Research Report, Population Studies Center, University of Michigan USA, July 1992.

GOUVÊA, R. G. A questão metropolitana no Brasil. 1. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2005.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Arranjos populacionais e concentrações urbanas no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2015.

_________. Censo demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2010.

IPEA; IBGE; UNICAMP/IE/NESUR. Configurações atuais e tendências das redes urbanas. Brasília: Ipea, IBGE, Unicamp, 2002 (Série Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil, n. 1).

JARDIM, A. de P. Reflexões sobre a mobilidade pendular. In: OLIVEIRA, L. A. P. de; OLIVEIRA, A. T. R. de. Reflexões sobre os deslocamentos populacionais no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2011.

JARDIM, A. de P.; ERVATTI, L. R. Migração pendular intrametropolitana no Rio de Janeiro: reflexões sobre o seu estudo a partir dos Censos Demográficos de 1980 e 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2007.

LIMONAD, E. Urbanização dispersa mais uma forma de expressão urbana? Revista Formação, v. 14, n. 1, p. 31-45, 2011.

LOBO, C. Dispersão espacial da população no Brasil. Mercator, v. 15, n. 3, p. 19-36, 2016.

_________. Mobilidade pendular e a dispersão espacial da população: evidências com base nos fluxos com destino às principais metrópoles brasileiras. Caderno de Geografia, v. 26, n. 45, p. 285-298, 2016.

LOBO, C.; MATOS, R.; CARDOSO, L.; COMINI, L.; PINTO, G. Expanded commuting in the metropolitan region of Belo Horizonte: evidence for reverse commuting. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 32, n. 2, p. 219-233, 2015.

LOBO, C.; CARDOSO, L.; MATOS, R. Mobilidade pendular e centralidade espacial: considerações sobre o caso da Região Metropolitana de Belo Horizonte. In: XXIII ANPET – Congresso de Pesquisa e Ensino em Transportes. Anais... Vitória/ES, 2009.

MOURA, R.; BRANCO, M. L. G. C.; IRKOWSKI, O. L. C. de F. Movimento pendular e perspectivas de pesquisas em aglomerados urbanos. São Paulo em Perspectiva, v. 19, n. 4, p. 121-133, 2005.

NOGUEIRA, M.; GARCIA, R. A.; MOREIRA, K. C. A importância dos fluxos populacionais para compreensão da centralidade urbana: o caso de Sete Lagoas /MG. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO, X SEMINÁRIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA DA UNESP. Anais... Rio Claro: Unesp, outubro de 2010.

OJIMA, R. Pessoas, prédios e ruas: por uma perspectiva demográfica dos processos urbanos contemporâneos. In: OJIMA, R.; MARANDOLA JR., E. Dispersão urbana e mobilidade populacional. São Paulo: Blucher, 2016.

_________. Fronteiras metropolitanas: um olhar a partir dos movimentos pendulares. Revista Paranaense de Desenvolvimento, n. 121, p. 115-132, jul./dez. 2011.

OJIMA, R.; MARANDOLA JR., E.; PEREIRA, R. H. M.; DA SILVA, R. B. O estigma de morar longe da cidade: repensando o consenso sobre as “cidades-dormitório” no Brasil. Cadernos Metrópole, v. 12, n. 24, p. 395-415, 2010.

OJIMA, R.; SILVA, R. B.; PEREIRA, R. H. M. A mobilidade pendular na definição das cidades-dormitório: caracterização sociodemográfica e novas territorialidades no contexto da urbanização brasileira. Cadernos IPPUR, v. 21, n. 2, p. 111-132, ago./dez. 2007.

PEREIRA, R. H. M.; HERRERO, V. Mobilidade pendular: uma proposta teórico-metodológica. Rio de Janeiro: Ipea, mar. 2009 (Texto para Discussão, n. 1.395). Disponível em:http://goo.gl/Kz6f2Z. Acesso em: 20 abr. 2014.

REIS, N. G. Notas sobre urbanização dispersa e novas formas de tecido urbano. São Paulo: Via das Artes, 2006.

SOUZA, J. de; BRITO, F. Expansão urbana de Belo Horizonte e da RMBH: a mobilidade residencial e o processo de periferização, nos anos 80 e 90. In: XIII SEMINÁRIO SOBRE A ECONOMIA MINEIRA. Anais... Belo Horizonte: Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais, 2008.

TASCHNER, S. P.; BÓGUS, L. M. M. Mobilidade espacial da população brasileira: aspectos e tendências. Revista Brasileira de Estudos de População, v.3, n. 2, p. 87-129, 1986.

Publicado
2017-09-13
Como Citar
Lobo, C., Cardoso, L., Almeida, I. L. de, & Garcia, R. A. (2017). Mobilidade pendular e a integração metropolitana: uma proposta metodológica para os municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte/MG – 2010. Revista Brasileira De Estudos De População, 34(2), 321-339. https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0013
Seção
Artigos originais