Revista Brasileira de Estudos de População https://rebep.org.br/revista REBEP - Revista Brasileira de Estudos de População pt-BR <p>Os artigos publicados na Rebep são originais e protegidos sob a licença Creative Commons do tipo atribuição (<a href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">CC-BY</a>). Essa licença permite reutilizar as publicações na íntegra ou parcialmente para qualquer propósito, de forma gratuita, mesmo para fins comerciais. Qualquer pessoa ou instituição pode copiar, distribuir ou reutilizar o conteúdo, desde que o autor e a fonte original sejam propriamente mencionados.&nbsp;&nbsp;</p> editor@rebep.org.br (Bernardo Lanza Queiroz - Cedeplar/UFMG (Editor)) coeditor@rebep.org.br (Maria Carolina Tomas & Julia Calazans) Sat, 09 May 2026 12:50:53 -0300 OJS 3.3.0.22 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Análise bibliométrica sobre o uso dos censos brasileiros no século XXI https://rebep.org.br/revista/article/view/2645 <p>Nas últimas décadas, os dados fornecidos pelos censos brasileiros tornaram-se insumos essenciais para diagnósticos em várias áreas temáticas, como saúde, educação e trabalho. Contudo, não havia um panorama quantitativo que evidenciasse como essa base estatística é efetivamente mobilizada pela comunidade científica. Este estudo mapeia padrões, tendências e redes de colaboração presentes nos artigos que utilizaram os Censos Demográfico e Agropecuário no século XXI, com destaque em trabalhos sobre desigualdades espaciais/regionais. Empregou-se uma estratégia bibliométrica que envolveu: busca sistemática nas bases Web of Science, Scopus e SciELO; extração, padronização e limpeza dos registros; e cálculo de indicadores de produção anual, coocorrência de palavras-chave, citações, fatores de impacto e redes de coautoria. Os resultados indicam que o número de artigos cresceu quatro vezes entre a primeira e segunda década deste século; mais de 80% dos trabalhos proveem de instituições brasileiras e concentram-se em periódicos nacionais. Sobre as desigualdades espaciais, observou-se expansão, com foco crescente em temas de saúde, geografia, economia e desenvolvimento. Esses achados reiteram a relevância dos censos para a pesquisa acadêmica e para políticas públicas de coesão territorial. Este trabalho apresenta um diagnóstico da literatura censitária, sinalizando a necessidade de ampliar a internacionalização, fortalecer a importância do censo como insumo vital para várias áreas temáticas e fomentar a utilização deste insumo por mais instituições.</p> Bianca Vasconcellos, Georges Flexor Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2645 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 -0300 O trade-off entre estudar e trabalhar em cursos profissionalizantes entre 2022 e 2025 https://rebep.org.br/revista/article/view/2688 <p>O presente artigo analisa o impacto da conciliação entre estudo e atividades remuneradas ou pessoais sobre a evasão acadêmica em cursos profissionalizantes. Testa-se a hipótese de ocorrência de um <em>trade-off</em> entre dedicação ao curso e outras atividades, ainda que os cursos tenham por objetivo a inserção do egresso no mercado de trabalho. O fenômeno é analisado por meio de um modelo <em>biprobit</em>, estimando simultaneamente a probabilidade de o discente evadir e de estar inserido no mercado de trabalho, utilizando uma base de dados de uma rede gratuita de ensino profissionalizante no estado de Goiás entre 2022 e 2025. São fornecidas evidências da existência de <em>trade-off</em> e que este se comporta de forma diferente segundo sexo, resultado até então novo em relação à literatura prévia. O mercado de trabalho possui maior impacto sobre os homens, enquanto o tempo de deslocamento é mais relevante entre as mulheres na determinação da evasão. Os resultados servem de base para a proposição de medidas de mitigação do fenômeno da evasão na rede profissional.</p> Maria Carolina Gomes Peixoto, Sandro Eduardo Monsueto, Júlio Orestes da Silva, Daiana Paula Pimenta Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2688 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 -0300 Demographic transition and post-transition population dynamics: a review of micro and macro economic models and interactions https://rebep.org.br/revista/article/view/2543 <p>This literature review contrasts microeconomic fertility models during the demographic transition and post-transitional periods, evaluating their implications for macroeconomic growth models. While microeconomic fertility models stress the trade-off between child quality and quantity during the demographic transition, the extensive and intensive margin fertility model applies to the post-transition period, with implications for childlessness and the postponement of childbearing. The impact of micro decisions on economic growth is better documented during the demographic transition compared to the post-transition period. The post-transition micro models have not yet led to models and evidence of sharp technological progress. At the macro level, low or negative population growth during the post-transition period may stall economic growth due to the population size effect.</p> Eduardo L.G. Rios-Neto Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2543 Sat, 09 May 2026 00:00:00 -0300 Efeitos da interação entre Gênero e Raça/cor com maus-tratos sofridos por adultos brasileiros: https://rebep.org.br/revista/article/view/2660 <p>Este estudo teve como objetivo estimar o efeito da raça/cor, gênero e sua interação sobre diferentes formas de maus-tratos vivenciados pela população adulta brasileira. Trata-se de um estudo transversal, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019. A variável dependente foi maus-tratos. Construiu-se uma variável binária que engloba todos os tipos de maus-tratos, além de variáveis específicas para maus-tratos físicos, psicológicos e sexuais. As principais variáveis explicativas foram sexo e raça/cor, com ajustes por fatores demográficos, socioeconômicos e de saúde. Foram utilizados modelos logísticos binários com termos de interação entre sexo e raça/cor, além de prevalências preditas. Analisados isoladamente, gênero e raça/cor apresentaram efeitos significativos para os maus-tratos totais e psicológicos; para os físicos, apenas raça/cor; e para os sexuais, apenas gênero. A interação entre raça/cor e gênero mostrou-se estatisticamente significativa, com variações conforme o tipo de violência. Para maus-tratos totais e físicos, essa interação foi mais determinante, reforçando a relevância de abordagens interseccionais. Nos maus-tratos psicológicos, as prevalências foram semelhantes entre os grupos, com maior diferença entre homens pretos e brancos. Na violência sexual, as mulheres, independentemente da raça/cor, apresentaram prevalências significativamente maiores, sendo o gênero o principal fator explicativo.</p> Wanderson Costa Bomfim, Ana Paula Vasconcelos Gonçalves, Claudio Santiago Dias Junior, Rodrigo Alisson Fernandes Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2660 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 -0300 Além da saúde: como o trabalho não remunerado e a vida social influenciam a participação do idoso no mercado de trabalho https://rebep.org.br/revista/article/view/2654 <p>Este estudo busca determinar associações entre características sociodemográficas, de saúde, de trabalho e de vida social com a realização de trabalho remunerado entre idosos brasileiros. Foram analisadas informações de 22.726 indivíduos com 60 anos ou mais, participantes da Pesquisa Nacional de Saúde realizada em 2019. A análise multivariada foi conduzida por meio da regressão logística, estimando razões de chance e seus respectivos intervalos de confiança de 95%. A participação dos homens em trabalho remunerado foi significativamente maior (30,9%) do que a das mulheres (15,1%). Em ambos os sexos, as chances de participação no mercado de trabalho foram menores nos grupos etários mais velhos e maiores entre indivíduos com maior escolaridade e melhores condições de saúde, como boa saúde autoavaliada, ausência de doenças crônicas e de dificuldades nas atividades de vida diária e instrumentais. A realização de tarefas de cuidado reduziu as chances de participação no mercado de trabalho de homens e mulheres, ao passo que a realização de tarefas domésticas aumentou essa participação, especialmente entre idosos com baixa escolaridade. A participação em atividades sociais esteve positivamente associada às chances de homens idosos estarem inseridos no mercado de trabalho, assim como o elevado apoio social, especialmente entre aqueles com baixa escolaridade. Os resultados sugerem que, além da escolaridade e da saúde, outras variáveis também contribuem para a permanência dos idosos no mercado de trabalho, como o trabalho não remunerado e a vida social, as quais, portanto, devem ser objeto de investigação, especialmente por revelarem importantes diferenças entre os sexos.</p> Lídia Pereira Rodrigues, Jorge Alexandre Barbosa Neves Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2654 Sat, 09 May 2026 00:00:00 -0300 Impacto da presença de crianças matriculadas em creches sobre a condição dos jovens nem-nem corresidentes: evidências da PNAD Contínua 2022 https://rebep.org.br/revista/article/view/2701 <p>Este estudo analisa o impacto da matrícula de crianças entre 0 e 5 anos em creche ou pré-escola sobre a probabilidade de jovens entre 15 e 29 anos, residentes no mesmo domicílio, estarem na condição de não estudar nem trabalhar (nem-nem). Utilizando microdados do segundo trimestre de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), aplicou-se o método de Propensity Score Matching (PSM) com distância de Mahalanobis e balanceamento por entropia, sob um modelo logit binário, para mitigar vieses de seleção e estimar efeitos médios do tratamento sobre os tratados (ATT). Os resultados indicam que a presença de crianças matriculadas na educação infantil reduz, em média, em 38,05% a probabilidade de jovens corresidentes estarem na situação nem-nem. Esses achados destacam que o acesso à educação infantil gera externalidades positivas que transcendem o público infantil, favorecendo a inserção ou a permanência dos jovens no mercado de trabalho ou no sistema educacional. Os resultados têm implicações relevantes para políticas públicas de ampliação da oferta de vagas em creches, como estratégia de promoção do desenvolvimento econômico e redução de desigualdades intergeracionais.</p> Anderson Henrique Fabião Cavalcanti Lima, Magno Vamberto Batista da Silva, Liedje Siqueira Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2701 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 -0300 População centenária brasileira: estimativas indiretas da sua quantidade para os anos de 2000 e 2010, por sexo, com base nas certidões de óbitoões de certidão de óbito. https://rebep.org.br/revista/article/view/2605 <p>O estudo quantitativo tem como objetivo avaliar a qualidade da informação censitária sobre a população brasileira centenária para os anos de 2000 e 2010, comparando-a com estimativas indiretas. Reconhecendo problemas nas estatísticas de idades avançadas, foram aplicados métodos das gerações extintas e quase extintas, propostos por Rosenwaike (1968), que utilizam dados de óbitos para estimar a população idosa. Os resultados foram comparados com os censos, revelando variações significativas entre os dados de 2000 e 2010, com melhorias observadas no último. Embora a tendência natural seja de crescimento da população de centenários, a melhoria na qualidade dos dados contrabalanceia as estimativas, resultando na redução observada da população estimada entre 1991 e 2000 - fato corroborado pelos quantitativos semelhantes registrados nos censos de 2000 e 2010, apesar do intervalo de dez anos. Já a partir de 2010, tanto os dados censitários quanto o registro de óbitos indicam aumento no número de centenários, em consonância com as tendências demográficas. Por fim, apesar de ainda existirem falhas, os quantitativos estimados passam a ser mais influenciados pelo aumento populacional do grupo de centenários do que pela melhoria da qualidade da informação, que vem sendo observada tanto no censo quanto nos registros de óbitos. Este estudo contribui para o aprimoramento das estimativas de centenários no Brasil, auxiliando no desenvolvimento de políticas públicas para idades avançadas.</p> Angela Danquimaia, Marília Miranda Forte Gomes , Cássio Maldonado Turra Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2605 Sat, 09 May 2026 00:00:00 -0300 Raízes Fortalecidas https://rebep.org.br/revista/article/view/2684 <p>Este estudo investiga como a ampliação da capacidade adaptativa, promovida pelo acesso a políticas de proteção social, especialmente ao Programa Cisternas, se associa à permanência da população no Semiárido Setentrional entre 2001 e 2018. A análise utiliza como principal fonte de dados a Coorte dos 100 Milhões de Brasileiros(as) que reúne informações sociodemográficas e econômicas de famílias em situação de vulnerabilidade social inscritas em programas sociais do governo federal. Os achados evidenciam que a permanência do sertanejo em sua terra natal não pode ser compreendida apenas a partir de uma lógica econômica, mas também de processos sociais mais amplos de enraizamento e pertencimento, em que a presença do Estado exerce significativa influência por meio da implementação de políticas de proteção social. Em particular, destaca-se o efeito sinérgico entre os programas Cisternas e Bolsa Família, cuja combinação não somente ajuda nos ajustes às condições adversas do clima semiárido, como também fortalece os vínculos comunitários, a autonomia das famílias e a resiliência socioeconômica local. Trata-se, portanto, de uma imobilidade que não parece ser imposta pela falta de alternativas, mas possivelmente escolhida a partir da ampliação das capacidades e da dignidade cotidiana proporcionadas por políticas públicas articuladas e adaptadas à realidade local.</p> Paulo Victor Maciel da Costa, Ricardo Ojima, Andrêa Jacqueline Fortes Ferreira Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2684 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 -0300 População, ambiente e saúde: a malária nas comunidades rurais em áreas protegidas, no Amazonas, Brasil https://rebep.org.br/revista/article/view/2490 <p>O objetivo do trabalho é analisar a distribuição espacial da ocorrência de casos de malária, das formas de prevenção e das percepções das condições de saúde da comunidade. As 64 comunidades rurais entrevistadas, em 2022, estão localizadas no Mosaico do Baixo Rio Negro. A análise dos dados foi realizada em duas etapas: análise descritiva dos dados do survey; e construção de tipologias de ocorrência da malária, prevenção e percepções das condições de saúde e da malária. Os resultados mostram uma heterogeneidade na distribuição dos dados por comunidades rurais, unidades de conservação e municípios aos quais pertencem. Essa heterogeneidade espacial reforça a pertinência do uso dos estudos de caso por comunidade, evidenciando a necessidade de análises desagregadas intramunicipais para auxiliar a compreensão dos problemas na escala regional, com enfoque em ações e aplicações diferenciadas de políticas sociais. Diante da necessidade de melhor compreender as dinâmicas nas áreas protegidas a partir de uma perspectiva sociodemográfica, sobretudo em se tratando de doenças de distribuição focal, estudos de caso na interface população-saúde-ambiente contribuem para a superação das dificuldades de uso de fontes de dados secundários agregados.</p> Tathiane Mayumi Anazawa, Álvaro de Oliveira D'Antona, Luciana Correia Alves Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2490 Sat, 09 May 2026 00:00:00 -0300 Under-five mortality and associated factors in India: an analysis at the district level https://rebep.org.br/revista/article/view/2656 <p>Under-five mortality refers to the death of a child before reaching the age of five. It is a critical indicator of child health and overall development within a country. In this study, we use data from the 2015-16 National Family Health Survey (NFHS) to estimate under-five mortality at the district level in India, considering a range of socioeconomic and demographic variables. We examined the association between these variables and under-five mortality using a Bayesian hierarchical model for 677 districts, employing the Integrated Nested Laplace Approximation (INLA) approach. Our findings indicate that excess under-five mortality is more prevalent in the northern and northeastern states of India. In addition, Hindu children and those born to literate mothers are less likely to die before reaching their fifth birthday. In contrast, higher risks of under-five mortality were observed among children from socially disadvantaged groups, those who were not exclusively breastfed, and those born in non-institutional settings. The results of this study underscore the urgent need for targeted strategies to reduce under-five mortality in India. Multiple factors - including biophysical conditions, sociodemographic disparities, and limited access to healthcare - must be addressed, not only through strengthening health infrastructure but also by promoting maternal education and reducing socioeconomic inequalities. Prioritizing the implementation of effective health policies and programs is essential for India to achieve the Sustainable Development Goal (SDG) target for under-five mortality and to safeguard the health of its youngest population across regions and demographic groups.</p> Emerson Augusto Baptista, Subhojit Shaw, Sampurna Kundu Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2656 Sat, 09 May 2026 00:00:00 -0300 Fallas de agencia y desajuste reproductivo en América Latina: un análisis de las brechas entre ideales y resultados en Bolivia, México y Perú (2023-2024) https://rebep.org.br/revista/article/view/2752 <p>Este artículo analiza el desajuste reproductivo -entendido como la brecha entre la fecundidad efectiva y la deseada- desde el enfoque de las capacidades y la noción de agencia reproductiva. Utilizando microdatos de las encuestas de Demografía y Salud (DHS) más recientes de Bolivia, México y Perú (2023-2024), se examina este fenómeno en mujeres de 40 a 49 años mediante modelos probit (dicotómico y multinomial) y regresiones por mínimos cuadrados ordinarios. Los resultados revelan que el equilibrio reproductivo constituye una situación minoritaria y que el desajuste es un fenómeno extendido en los tres países analizados. Asimismo, la evidencia es consistente con la idea de que dicho desajuste no presenta un carácter homogéneo, sino que adopta formas diferenciadas según su dirección. En particular, el exceso de fecundidad se asocia con contextos de mayor vulnerabilidad estructural y con la experiencia de pérdida de hijos, mientras que el déficit aparece con mayor frecuencia en sectores con mayores niveles de recursos materiales y educativos. En conjunto, la evidencia sugiere que los bajos niveles agregados de fecundidad en la región coexisten con restricciones en la capacidad de las personas para concretar sus preferencias reproductivas, lo que subraya la relevancia de considerar las condiciones estructurales y los entornos habilitadores en el análisis de la fecundidad.</p> Jorge Paz Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2752 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 -0300 Demografia da solidão na América Latina https://rebep.org.br/revista/article/view/2809 <p>Este trabalho argumenta que a consolidação da demografia da solidão na América Latina exige mais do que a incorporação de escalas de mensuração da solidão em inquéritos populacionais. Requer, também, a revisão das categorias por meio das quais o campo interpreta a vida relacional em sociedades marcadas por desigualdades persistentes, regimes familiares heterogêneos, envelhecimento acelerado, migração, violência, racismo e privatização do cuidado. O texto propõe quatro deslocamentos analíticos. O primeiro consiste em substituir afirmações genéricas sobre “epidemia” ou aumento geracional da solidão por uma postura metodológica mais cautelosa, reconhecendo a ausência de séries históricas comparáveis e de dados longitudinais harmonizados na região. O segundo recoloca sexo e gênero no centro da análise, não como categorias universais e desracializadas, mas como dimensões articuladas a cuidado, viuvez, masculinidades, violência e desigualdades territoriais. O terceiro propõe deslocar raça/cor e território das listas de controle para o centro dos modelos, reconhecendo que a desconexão relacional no Brasil e na América Latina é racializada e territorialmente situada. Por fim o quarto deslocamento articula a demografia da solidão à demografia do cuidado, substituindo a hipótese simplificadora do familismo protetor pela da ambivalência familiar. A agenda proposta não rejeita a literatura internacional, mas defende que a América Latina pode oferecer um corretivo conceitual a um campo ainda fortemente orientado por experiências do Norte Global.</p> Hisrael Passarelli-Araujo Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Estudos de População https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://rebep.org.br/revista/article/view/2809 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 -0300